cristoemsalvador.jpg

Em 1966 conclui o painel da Rodoviária de Jequié, em mosaico. Convidado pelo arquiteto Katsuki, esculpe um cruzeiro em pedra-sabão e um menino Jesus em madeira para a capela de Itapetininga (BA).

No ano seguinte, conclui seu maior mural, na rodoviária de Feira de Santana (BA). Hoje tombado, é atração turística na cidade e motivou ensaios e teses acadêmicas. Participa da Bienal de São Paulo, com desenhos e pinturas. Ainda em 67, edita o livro Porque Oxalá Usa Ekodidé, de Mestre Didi (Deoscóredes dos Santos), ilustrando e caligrafando um conto tradicional do candomblé africano.

a-curra-copia.jpg

A partir de 1956, Lênio participa de exposições coletivas, integrado ao grupo de artistas que emergia na época: Mário Cravo, Carybé, Genaro de Carvalho, Jenner Augusto, Agnaldo dos Santos, Carlos Bastos, José de Dome, Hansen Bahia, Rubem Valentim, Mirabeau Sampaio, Raimundo de Oliveira, Ubirajara e outros.

Fez suas primeiras individuais no início dos anos 60, nas galerias Oxumaré (BA), Querino (BA) e Cosme Velho (SP). Experimenta técnicas diversas, trabalha com fotografia, cria suas primeiras esculturas e murais. Em 1965, conquista o Prêmio Nacional de Pintura na I Bienal de Artes Plásticas da Bahia, com a obra Monalisa & Moneyleague, influenciado pela pop-art de Warhol e Rauschenberg, fato que causou grande polêmica na época, dividindo o meio artístico.

sereia-copia.jpg

Em setembro de 1955 casa-se com Muriel Alves, transferindo-se para Salvador, BA. Encontra ali um ambiente efervescente, onde pesquisadores, artistas, professores e, claro, jovens artistas, estavam procurando entender, explicar e traduzir o Brasil. Antropólogos como Pierre Verger e Juana Elbein, músicos como Walter Smetak, escritores como Jorge Amado, Nelson Araujo e Antonio Olinto, artistas como Carybé, Mário Cravo, Jenner Augusto, Mirabeau Sampaio, José de Dome, Emanoel Araújo, Hansen Bahia, Rubens Valentim, Genaro de Carvalho e José Cláudio, entre outros.

A Universidade Federal da Bahia, dirigida por Edgard Santos, era o epicentro dessa agitação. Ali se fermentou a onda criativa que iria desaguar nos movimentos de teatro, dança, cinema, música e artes plásticas dos anos 60, quando Salvador rivalizou com Rio e São Paulo como centro irradiador de tendências.

nobresentado.jpg

Seu espírito inquieto e rebelde fez com que entrasse em conflito com o pai, saindo de casa antes de completar 19 anos. Fez o serviço militar obrigatório na Aeronáutica, de onde saiu detestando visceralmente qualquer tipo de farda ou batina.

Este traço torna-se explícito nas obras que criou nos anos 60, caricaturando sem piedade padres e militares em óleos, gravuras e desenhos, o que lhe acarretou problemas com a Censura da época.

São Paulo, no final da década de 40, ainda provinciana, orbitava em torno do Museu de Arte Moderna, na rua Sete de Abril, no centro. Reuniam-se ali artistas consagrados e jovens como Lênio, Caio Mourão, Roberto Delamônica, entre outros.

 

Lênio teve aulas de gravura com Lívio Abramo e Helen Kerr, e foi autodidata em outras técnicas. Estudou História da Arte e se debruçou sobre os clássicos, estudando composição, volume e técnicas de claro-escuro. Apaixonou-se pelos impressionistas, optando definitivamente pelo figurativismo como forma de expressão. Pesquisou atentamente o Modernismo brasileiro, preparando o terreno para sua ativa participação nos anos 60.

 

oferenda.jpg

Lênio Braga nasceu em Ribeirão Claro, norte do Paraná, em 27 de junho de 1931. Segundo filho da professora Adelaide Braga Brazil e do juiz de Direito Hernande Brazil, mudou-se para São Paulo com 9 anos de idade, onde estudou até completar o científico.

Desde cedo manifestou inclinação para as artes plásticas, demonstrando grande habilidade e uma curiosidade inesgotável, que o acompanhou por toda a vida. Experimentou praticamente todas as formas de expressão plástica: desenho, pintura, gravura, escultura em madeira e metal, muralismo, cerâmica, artes gráficas e fotografia.